1966-1974   O Apogeu

Com o final dos anos 60, as provas de GT e Desporto em Portugal começam a ter carros cada vez mais modernos e competitivos que correm em provas de rampa e nalguns circuitos não permanentes como Vila do Conde, Granja do Marquês, Monsanto e Vila Real. Este último circuito voltou a disputar-se em 1966, após 8 anos de interregno, e também no mesmo ano, a Comissão Desportiva do ACP instituiu o Campeonato Nacional de Velocidade. Mais tarde, em 1972, a inauguração do Autódromo do Estoril colmatou um velho desejo dos participantes do CNV e permitiu também a realização de mais algumas provas internacionais. Em 1972 e 73 passou a ser comum ver as melhores equipas do Europeu de Sport 2 lts e do Europeu de GT, reunidas no primitivo e inacabado "paddock" da única pista permanente portuguesa.  Para além disso, Vila Real, atraía anualmente um grande plantel com os melhores pilotos nacionais e com muitos estrangeiros que se deslocavam anualmente ao circuito do Marão pelas boas condições oferecidas pela organização e também pelo gozo de conduzir num dos últimos grandes circuitos urbanos existentes. Em Angola e Moçambique os campeonatos também conheceram um desenvolvimento espectacular, com a realização de algumas corridas internacionais e recebendo a visita dos grandes pilotos do CNV "da Metrópole" que iam correr a África no defeso do Inverno europeu. Este fluorescente processo apenas seria interrompido com a crise do petróleo e com a revolução de Abril, em Portugal, e com a conturbada independência das antigas Províncias Ultramarinas, em África.

 

      

1966___________________________________________________

  Neste ano de estreia do campeonato Nacional de Velocidade disputaram-se oito provas, repartidas  de modo equitativo entre rampas e circuitos.  O campeonato iniciou-se no dia 30 de Abril, com a Rampa da Pena e a nível de montanha ainda se disputariam as rampas de Stª Luzia, do Monte de Faro e, por fim, a da Lagoa Azul, que no dia 2 de Outubro encerrou o novel campeonato. Quanto às provas de circuito, foram quatro as pontuáveis para o CNV de 1966: Cascais, Lordelo, Montes Claros e Vila do Conde. Este primeiro CNV viu Pedro Torres Fernandes como vencedor do título de Grande Turismo e Desporto, conseguindo impor o Lotus Elan ao Jaguar E de Carlos Santos, aos Ferrari de Aquiles de Brito e António Peixinho e ao Porsche 356B Carrera GT/GS de Américo Nunes.  

 

    Circuito de Cascais,  Julho de 1966:    Momento de descontração, pouco antes da partida da corrida de Grande Turismo e Desporto que viria a ser ganha pelo Ferrari 250LM de António Peixinho. (Foto: colecção JPS) 

    Circuito do Lordelo, 1966a partida para a prova de Grande Turismo.  (texto e fotos: Carlos Gilbert)     

     Montes Claros, 1966: Um momento animado na "Curva de Montes Claros", no decurso da corrida de Grande Turismo e Desporto que seria ganha pelo Ferrari 275 GTB de Aquiles de Brito    (Foto: colecção JPS) 

    Vila do Conde, 1966:  Partida da "Taça da Câmara Municipal de Vila do Conde" para automóveis de Grande Turismo e Desporto. Foi o 1º ano em que houve Campeonato Nacional de Velocidade. Do lado direito o futuro vencedor, o Ferrari 250 LM (chassis #6119 GT) de António Peixinho, um dos mais bonitos carros de corrida de sempre em Portugal e que havia sido adquirido ao suíço Pierre de Siebenthal. (neste ano o #6119 GT venceria também o circuito de Cascais e ficaria em segundo em Vila Real) Na 1ª linha pode ainda ver-se o Lotus Elan de Carlos Gaspar e mais atrás o Porsche de Américo Nunes, o Jaguar E de Carlos Santos e provavelmente, o Lotus Elan de Mané Nogueira Pinto. Ao Fundo, o Porsche 356 de João Paulo Sottomayor. De salientar que esta corrida se disputou debaixo de chuva cerrada!    (texto: José Mota Freitas/RG, foto colecção JPS)  

     Vila do Conde, 1966:  já com o Porsche 356 na grelha de partida, João Paulo Sottomayor em animada conversa com os comissários de pista.   (Foto: colecção JPS)

     Vila Real, Julho de 1966: Grelha de partida para a corrida de Grande Turismo de Desporto. Ainda estávamos longe do que viriam a ser estas provas, apenas dois ou três anos mais tarde. Em 66 apenas cinco concorrentes alinharam. John Miles, no Lotus Elan da Willment fez a pole, seguido pelo Ferrari 250 LM (#6119GT) de Siebenthal, conduzido pelo português António Peixinho e do Ferrari 275 GTB de Achiles de Brito. Na segunda linha desta curta grelha surgia Carlos Santos num Jaguar E e José Luís Lickford, com um velho  Alfa Romeo Giulietta Sprint Speciale. O vencedor seria John Miles, seguido do potente 250 LM e do "E Type". Após oito anos de interrupção, as corridas regressavam ao grande circuito transmontano. No entanto, ainda não contavariam para o novel Campeonato Nacional de Velocidade   (foto: revista RPM)      

       Vila Real, Julho de 1966: José Correia Guedes junto ao Lotus Elan de John Miles, antes da corrida de Grande Turismo e Desporto. O piloto britânico partiria da "pole" faria a volta mais rápida e venceria a corrida. Quanto a José Guedes, além de ser comandante da TAP, entusiasta de automóveis e colaborador do Sportscar GT, era primo do falecido piloto Rui Guedes (que correria em 1971 com um Porsche 907)    ( foto: colecção José Guedes)    

       XIII Grande Prémio de Macau:  Mauro Bianchi e o Alpine-Renault A210 que venceu a prova de 60 voltas para carros de Grande Turismo e Desporto disputada ao longo de 3 horas, no Circuito da Guia. Na segunda posição ficaria o Lotus 23 do piloto de Hong Kong  Albert Poon, e no terceiro posto terminava o Porsche 906 do japonês Shintaro Taki. O piloto francês foi inscrito pelo empresário Walter Sulke (que pretendia promover a sua nova concessão Renault em Hong Kong) e o Alpine A210 era um dos carros que a equipa oficial tinha inscrito nas 24 Horas de Le Mans desse ano.  (foto: página oficial do GP de Macau)

 

1967___________________________________________________

 O sucesso da primeira edição do CNV levou a que se fizessem algumas alterações para 1967.Assim, para lá dos já existentes campeonatos de Turismo e de Grande Turismo e Desporto, surge o campeonato de Fórmula V e (para nós mais interessante) o campeonato de Turismo Especial, Desporto e Protótipos. Embora estivessem previstas bastantes provas, a determinação do ACP acabar com os circuitos de cidade (leia-se Lordelo e Cascais) e com as dificuldades criadas para o licenciamento de provas de rampa,  acabaram por reduzir o CNV a apenas 7 provas.  Das rampas apenas se disputam a da Pena e a de Stª Luzia e os circuitos vêm entrar Vila Real para o Campeonato, juntamente com duas provas na Granja do Marquês (Base Aérea de Sintra), continuando a disputar-se os circuitos de Vila do Conde e de Montes Claros.   Luís Fernandes, com o novo Lotus 47, foi o vencedor do título principal de Desporto e Protótipos, tendo Américo Nunes vencido o campeonato de GT e Desporto, com um dos seus novos Porsche 911 S.  

 

    Vila Real, 1967: Aspecto da zona das boxes, pouco antes da corrida de Grande Turismo e Desporto. Na imagem, podemos observar o Lotus Elan de Ernesto Neves, o Lola T-70 MKIII de Michael d'Udy (futuro vencedor da prova) o AC Cobra 427 de John Woolfe (que também seria o autor da reportagem para a revista Autosport britânica) e o Jaguar "Tipo E" de João Carlos Ferreira de Moura.  (foto: Carlos Gilbert)    

       Montes Claros, 1967:  o regresso de Nicha Cabral após o acidente de Rouen    (foto: revista ACP, colecção Manuel Taboada)

      Vila do Conde, 1967:  O Lotus 47 Luís Fernandes corta a meta na primeira posição  (foto: revista ACP, colecção Manuel Taboada)

       Lourenço Marques, Novembro de 1967:  o Lola T-70 MKIII vermelho de Paul Hawkins, à frente do carro idêntico (verde sabonete) de Mike d'Udy, na prova moçambicana que contava para a série Springbock, disputada nos territórios sul do continente africano.  Pouco depois Udy passaria Hawkins, mas acabaria por desistir devido a um problema de suspensão. Assim a prova foi vencida por Hawkins, seguido dos Ford GT 40 de David Prophet e Ed Nelson. Note-se que tanto Udy como Hawkins eram presença habitual no circuito de Vila Real, em Portugal continental.   (foto: revista Autosport )

 

                                          Huambo 1967: uma prova de iniciados em Angola

 

1968___________________________________________________

Mantendo o figurino do ano transacto, o campeonato de 1968 foi marcado pelo domínio de Carlos Gaspar e do seu potente Ford GT40 que, apesar de alguns problemas mecânicos, venceram o título de GT e Desporto. Manuel Nogueira Pinto impôs o Porsche 911 R aos seus principais adversários na disputa entre os melhores do campeonato de turismo Especial, Desporto e Protótipos. No entanto, para o espectador comum, os vencedores desta classe passavam de algum modo despercebidos, visto que corriam em conjunto com os carros mais potentes que naturalmente se impunham na classificação geral das provas em que participavam.  1968 foi o ano que consolidou as cada vez mais numerosas presenças de pilotos estrangeiros em Portugal, processo iniciado no ano anterior e que agora atingia uma dimensão desconhecida desde os anos 50.

 

    Granja do Marquês, 1968: o GP do ACP   o "bluff" de Cabral, o azar de Gaspar e o triunfo de Fernandes

     Luanda, Circuito da Fortaleza, Maio de 1968:   vitória fácil de Ahrens de Novais e do Porsche 904 GTS

    Vila Real, 1968: Partida para a corrida de Grande Turismo e Desporto. Da primeira linha saía o Lola T70 MK III de Mike D'Udy (que já aqui tinha vencido no ano transacto)  o Ferrari 412P (#0854) de David Piper  e o Ford GT 40 de Carlos Gaspar. Mais atrás, na segunda linha vemos o Lotus 47 "oficial" de John Milles e o Lola T-70 MK III Chevrolet de John Woolfe. Menos de um ano após esta imagem, o nome de Woolfe ficaria tristemente célebre por ter falecido num violento acidente, ocorrido na 1ª volta das 24 Horas de Le Mans de 1969, quando estreava o primeiro Porsche 917 LH (curiosamente, com o mesmo esquema cromático do Lola T-70) vendido a um privado. Voltando à prova de Vila Real, o vencedor seria novamente o sul africano d'Udy, seguido pelo belo Ferrari verde que Piper adquiriu após os 1000 Km de Brands Hatch de 1967 e com o qual correria até 1969.  (foto: Flama, colecção Manuel Taboada)    

    Montes Claros, 1968 Triunfo do Ford GT 40 de Carlos Gaspar, num circuito que contou com alguns concorrentes britânicos que tinham corrido em Vila Real, na semana anterior.
 

    Vila do Conde, Agosto de 1968 Partida para a corrida de Grande Turismo, Desporto e Protótipos.

      XV Grande Prémio de Macau:  Grelha de partida para a corrida de Grande Turismo. Na primeira linha, os Porsche 911 de R.Aron (um americano que vivia em Okinawa) e de Teddy Yip (que anos mais tarde viria a ter a equipa de Fórmula 1 Theodore Racing).  Ao lado dos Porsche, vemos o Honda S800 de Ken Matsura, um carro oficial com 818cc e uns fabulosos 140 BHP de potência!   (foto: Motor, colecção José Mota Freitas, texto JMF)

       Ford GT 40 #P1022

      1968: Um Porsche 911R em Portugal

 

  VILA REAL     por Carlos Gilbert

  VILA REAL    Por Manuel Taboada

 

1969____________________________________________________

Para 1969 algumas alterações alteraram o panorama do campeonato que se disputou novamente em sete etapas. No que respeita aos GT e protótipos, os dois campeonatos existentes unificaram-se sob o título de Grande Turismo e Desporto (e assim ficaria até 1973). O grande dominador deste campeonato foi Carlos Santos que conseguiu impor por quatro vezes o seu Porsche Carrera 6, deixando as outras três provas para os modelos idênticos de Joaquim Filipe Nogueira e de Mané Nogueira Pinto e para o Porsche 908/2 de David Piper e Chris Craft. Como curiosidade, Carlos Santos conquistou aquele que terá sido o mais brilhante triunfo desse ano, na Rampa da Pena, onde ao volante do seu Carrera 6 baixou pela primeira vez a barreira dos 2 minutos,  numa prova (imagine-se) totalmente disputada à noite!

   

   Vila Real, 1969: Partida para as 6 horas. Na primeira linha partia o Lola-Chevrolet T70 MKIII b de Michael de Udy e Frank Gardner, o Porsche 908 de David Piper e Chris Craft (# 908-008) e o Ford GT40 dos portugueses Luís Fernandes e Carlos Santos.(#GT40 P1022) O vencedor seria a equipa do Porsche 908. A razão de ser da prova de 1969 ter a duração de 6 horas é porque na altura, a Comissão Organizadora do Circuito de Vila Real ambicionava que a sua corrida fizesse parte do Campeonato Mundial de Marcas  (RG/M.Taboada)

 RUDI VAN DER STRAATEN  o homem forte do Team VDS

    Circuito de Montes Claros, 1969:  Ernesto Neves no Lotus 47 do Team Palma a caminho do segundo lugar do pódio, numa prova que seria ganha pelo Porsche Carrera 6 de Carlos Santos.   (Rev.Máquina, col.Rui Queirós )

    3 Horas da Granja do Marquês, 1969:  Max Wilson no Lola T-70-BRM "Roadster" prepara-se para dobrar o Mini Marcos 1300 de Didier Varsavaux.   (foto: Motor, colecção JMF)

    Vila do Conde, 1969: imagem da grelha de partida, com o GT 40 de Fernandes, o 906 de Carlos Santos e o carro idêntico de Joaquim Filipe Nogueira...  (foto: Flama, colecção Manuel Taboada)

   Circuito da Granja do Marquês, Grande Prémio do ACP, 1969 o triunfo de um 906

   Rampa da Pena, Setembro de 1969: Carlos Santos, ao volante do Porsche 906 foi o grande vencedor desta prova. O piloto do Alto da Lixa foi o primeiro concorrente a baixar a barreira dos dois minutos na sinuosa subida de Sintra que teve a particularidade de ter sido integralmente disputada à noite!   (foto: jornal Motor, colecção Fernando Pereira)

                             Lourenço Marques, Springbok Series,  Dezembro de 1969

  Luanda, 21 de Dezembro de 1969: Partida para o terceiro Troféu Palanca Negra. Esta foto retrata bem o anárquico pelotão de uma partida que viria a acabar de modo trágico.  (foto: revista Flama, colecção família Pinto da Fonseca)

     Algumas linhas sobre João Posser de Andrade Villar

                              

1970____________________________________________________

A estabilidade de regulamentos marcou esta fase que apenas viu nascer o Campeonato de fórmula Ford. São os anos de domínio de Ernesto Neves que se impunha entre os fórmulas, com o mesmo à vontade com que dominava as corridas dos Turismos, tendo alcançado o total de 7 títulos nacionais. No entanto, apesar de ao volante dos Lotus do Team Palma ter realizado algumas excelentes exibições (e mesmo vencido) em algumas corridas de Grande Turismo e Desporto, nunca conseguiu alcançar o título nacional da categoria superior, batido sempre pelos Porsche Carrera 6 de Carlos Santos e de Américo Nunes (1972).  Em 1970, Carlos Santos conseguiu 3 triunfos à geral, alcançado o título nacional pelo segundo ano consecutivo.

 

 Os Regulamentos em 1970

    500 Km de Vila Real.  Imagem da partida, onde vemos na pole o McLaren-Ford M8C (#70-007) de Chris Craft, seguido do surpreendente Lola T-210 de Alain de Cadenet (ambos os carros da Escuderia Evergreen) e do Lola-Chevrolet T70 MKIII b de Teddy Pilette.   (foto: revista ACP, colecção RG)

     Montes Claros, 1970    o 908/2 de Bragation...  e os outros

    24 Horas de Le Mans, 1970:  memórias de um piloto português    (foto: colecção Helder de Sousa)

    Vila do Conde, 1970:  o momento da partida, com Ernesto Neves (Lotus 47), Carlos Santos (Porsche 906) e Luís Fernandes (Ford GT40) a partilharem a primeira linha da grelha.   (foto: colecção António Janeiro)

    Circuito do Novo Redondo, Setembro de 1970:  o Lotus 47 de Herculano Areias, pouco antes da prova. Antes de correr em Angola, este carro tinha sido utilizado por Carlos Santos nos campeonatos nacionais de Portugal Continental, em 1967e 68. O Circuito do Novo Redondo teve como vencedor o BMW 2002 Ti de Carlos Bandeira Ferreira, seguido do Ford GT40 de Emílio Marta e do Lotus 23 de Carlos Conde.   (foto: colecção Helder de Sousa)

                                      Lourenço Marques, Springbok Series, Novembro de 1970

    6 Horas de Nova Lisboa, 1970 O mais expressivo triunfo da Socoína/Alfa Romeo em Angola

 

1971___________________________________________________

No último ano do Circuito de Montes Claros, o regulamento manteve-se sem alterações e a luta entre Carlos Santos (Porsche Carrera 6) e Ernesto Neves (Lotus Seven e Lotus 62) também. Carlos Santos,  com mais três vitórias à geral, seria campeão pela terceira vez consecutiva, num ano em que Vila Real produziu mais uma mítica tarde de corridas. Pela primeira e única vez, um Porsche 917K e um Ferrari 512M (os grandes rivais do Mundial de Marcas)  defrontaram-se em território nacional. No entanto, o vencedor seria um relativamente modesto Porsche 908/2...

 

    Rampa da Pena, 1971:  A primeira prova do nacional de Velocidade, seria dominada por Ernesto Neves  (foto Fernando Pedreira)

     Rampa de Monsanto, 1971:  O belo Porsche 906 (ou Carrera 6 ) de Carlos Santos e que seria o vencedor desta subida da Serafina.   (texto e foto: Fernando Pedreira)

                                         Vende-se  Porsche Carrera 6

                               Vende-se Lotus 62

   Vila Real, 1971 - Porsche 917K (# 010), 908 (#908-013), Ferrari 512M (# 1016?), Ford GT40, Chevron B-19; a melhor de sempre? Uma corrida com "suspense" do principio ao fim e que foi vencida pelo Príncipe Jorge de Bragation, em parte devido a um mau contacto na luz avisadora da pressão de óleo do Porsche 917 K de David Piper, pilotado nesse dia por Mário de Araújo Cabral.    (desenho de Ricardo Santos)

   Watkins Glen, EUA, 1971: Nicha Cabral e Tony Adamowicz correram juntos na última prova do mundial que admitiu os Porsche 917 à partida. Mais uma vez, o carro utilizado foi o chassis #010 de David Piper, mas problemas vários não permitiram que figurasse classificado no final da prova. Nomeadamente a luz avisadora da pressão do óleo...  que desta vez funcionou mesmo a sério! No mesmo fim de semana, Cabral participou com o mesmo 917 K # 010 numa prova de Can Am disputada em Watkins Glen. Para aumentar a eficácia, o carro foi despojado dos faróis e modificado a nível dos escapes. Mesmo assim, o 917 K estava longe de ser competitivo entre os "Grupo 7" do campeonato Can Am. Detalhe único na carreira do modelo 917, por vezes, o Porsche de David Piper utilizava jantes de estrela provenientes do seu anterior Ferrari 412P.  (desenho de Ricardo Santos)

   Montes Claros 1971: O Porsche 908 da Escuderia Nacional, conduzido por Jorge de Bragation e o Lotus 62 de Ernesto Neves, com as cores do cartão Sottomayor. Este Lotus tinha sido estreado na semana anterior, no circuito de Vila Real e tinha um motor Lotus de 1973 cc, com 16 válvulas e 2 árvores de cames à cabeça, tudo montado num bloco Vauxhall. Bragation que já tinha vencido neste circuito em 1970, fez uma excelente mini-temporada portuguesa em 1971, averbando dois triunfos consecutivos em Vila Real e aqui em Montes Claros. Onze anos depois desta prova, o Príncipe espanhol voltaria a vencer em Portugal, desta feita no Estoril e ao volante de um Lancia Stratos. Mas isso já é outra história, para ver mais adiante...

    Circuito de Montes Claros, 1971:  Uma das mais bonitas lutas travadas entre 1970 e 72 entre os Porsche de Carlos Santos e os Lotus de Ernesto Neves. Nené partiu muito mal e depois de uma boa recuperação "colou-se" a Santos na 6ª volta, registando-se a partir daí uma luta que culminou na 8ª volta com 3 trocas de posição entre o Lotus 62 e o Porsche 906! Anos mais tarde, numa entrevista ao Jornal de Clássicos, Ernesto Neves recordaria esta corrida como um duelo espantoso que pôs o público de pé.  O Lotus azul, branco e amarelo terminaria na segunda posição e o Porsche psicadélico logo a seguir, embora andando ambos muito longe do Porsche 908 de Jorge de Bragation que repetiu a vitória (folgada) de 1970  ( foto: col. José Mota Freitas. texto: JMF/RG)

  3 Horas de Sá da Bandeira, 1971: O Alfa Romeo 33/2 de António Peixinho . Apesar de ser em francês, não resistimos a transcrever estas linhas retiradas de uma página da internet: "C'est en Angola qu'elle est retrouvée en 1986 ! Bien que la voiture soit en fort mauvais état, sa découverte fait grand bruit dans le milieu des Alfistes, des photos circulent, elle devient célèbre : c'est la " 33 d'Angola ". A l'instar des chercheurs d'or, quelques amateurs font le voyage pour voir la belle endormie. Finalement, après moult tractations, elle revient en Europe et bénéficie d'une restauration complète en Italie. C'est là que Jean-François Bentz, son actuel propriétaire, l'a acquise. (Motorlegends.com via José Correia)

 

                                  Lourenço Marques, Springbok Series, Novembro de 1971

 

1972___________________________________________________

Num campeonato com um número recorde de 11 provas (seis rampas e cinco circuitos) dois acontecimentos marcaram a época de 72: a inauguração do Autódromo do Estoril e a criação do Team BiP. Como era tradição, a época começou com a Rampa da Pena, em Abril, e logo aí se afirmou Ernesto Neves, o favorito aos títulos nacionais de Fórmula Ford, Grupo 1 e Grande Turismo e Desporto. Depois, por sequência, seguiu-se a Rampa da Covilhã, a muito esperada inauguração do Autódromo, a Rampa de Monsanto, Vila Real e a Rampa da Penha, tudo disputado em Junho e Julho. Depois foi a vez da Rampa da Senhora da Graça, de Vila do Conde, do Circuito Nacional, da Rampa do Monte de Faro . Por fim, o GP do ACP encerrou a temporada metropolitana com um programa que incluiu uma prova do Europeu de GT. Quanto ao campeonato nacional, Ernesto Neves, então o piloto com mais vitórias em provas nacionais, deixou escapar mais uma vez o título de Grande Turismo e Desporto e, contra as previsões, foi um Porsche Carrera 6 o vencedor pela 4ª vez consecutiva, desta vez com Américo Nunes ao volante. Em Angola eram inaugurados os Autódromos de Luanda e de Benguela.

     Após o cumprimento do serviço militar no Ultramar (onde ficou gravemente ferido na mão direita devido a um  acidente de caça), Carlos Gaspar anunciou o regresso às competições para a época de 72, ao volante de um Lola T-280 DFV.   (jornal Motor, colecção RG)

    O Porsche 908/2 (chassis #009 ou #010, dependendo das fontes) a ser embarcado um dos novos Boeing 747 que a TAP recebera em Fevereiro deste ano, a caminho das 6 Horas de Nova Lisboa, em Angola, onde a equipa de André Wicky ("gentleman-driver" helvético, proprietário de uma concessão Porsche em Lausanne e proprietário / preparador do carro)  alinhou com três carros.    (Postal TAP, colecção www.tristar500.net)

    Rampa da Pena, Abril de 1972:  Ernesto Neves foi o grande vencedor desta primeira prova do CNV de 1972, pois além de ter triunfado à geral com o Lotus 62 do Team Palma, também ficou com o segundo posto ( vencendo na Fórmula Ford) e bateu o recorde da subida. No terceiro lugar ficaria o Porsche Carrera 6 de Américo Nunes. O Lotus 62, apesar da nova pintura preto/amarelo,  mantinha as especificações do ano anterior, ou seja um bloco Vauhall de 4 cilindros, 16 válvulas, 1973cc, dois carburadores de duplo corpo e uma potência que rondaria entre os 210 CV referidos pelo piloto e os 260 citados pela imprensa estrangeira...   (foto: o Volante)

       Luanda, Maio de 1972: a inauguração do Autódromo

     Estoril, Junho de 1972: a inauguração do Autódromo  

    Vila Real, Julho de 1972:  Saindo do 17º lugar da grelha de partida,  o Lola T-290 FVC de Claude Swietlick seria o vencedor surpresa de uma prova que conheceu inúmeras mudanças de comando .   (desenho de Ricardo Santos)

    Rampa da Penha, Julho de 1972: Ernesto Neves a caminho do trunfo, com o seu Lotus 62 apresentando um novo esquema cromático. Embora algo ultrapassado em termos internacionais, em Portugal o Lotus 62 andou sempre nos lugares cimeiros. Em 1972, apesar de ter ganho todas as rampas e dois circuitos, Néné Neves deixou escapar a vitória do campeonato para o experiente e regular Américo Nunes, no que terá sido o último grande triunfo do belo modelo Carrera 6, então já velho de 8 anos     (foto: colecção J.M.Freitas)

    3 Horas Internacionais de Luanda, 15 de Agosto de 1972: Esta prova marcou a inauguração do Autódromo da capital de Angola e foi vencida pelo Chevron B21 de Roger Heavens. Na foto que aqui apresentamos, pode ver-se o Alfa Romeo GT Am do piloto sul-africano Arnold Chatz que se classificou na segunda posição da geral, seguido pelo Chevron do futuro vencedor. No terceiro lugar classificou-se Teixeira da Silva, num Ford Capri RS. A "pole" tinha sido realizada por Carlos Gaspar, ao volante do Lola T280 DFV do Team BiP.  (Foto colecção Manuel Taboada) 

     Rampa da Penha, Julho de 1972: imagem do menos conhecido carro do Team BiP.  Apesar de alegadamente o Lola T-280 DFV "ter ido para a Grã-Bretanha" , Carlos Gaspar, ainda pensando no Título Nacional, alugou o Chevron B21- Ford FVC do inglês Roger Heavens e manteve o patrocinador da equipa. O carro revelou-se pouco adaptado ao mau piso de Guimarães e Gaspar apenas foi 3º atrás do Lotus 62 de Ernesto Neves e do Porsche 907 da Carlos Santos. Em Setembro, Gaspar utilizaria de novo o Chevron no "Circuito Nacional do ACP", mais uma vez sem grandes resultados.  (Foto Motor, colecção JMF. Texto JMF)   

     Vila do Conde 1972   Américo Nunes, Ernesto Neves e Carlos Santos, nos "esses" do circuito do Ave

  500 Km de Interlagos, Brasil, 1972: o Porsche 907 de Carlos Santos e o Aurora Porsche 2000 "coupé" (do mesmo piloto) aqui pilotado por Artur Passanha, dois dos participantes da comitiva portuguesa que se deslocou ao Brasil.    (foto: colecção  J.M.Freitas)

     Estoril, Setembro de 1972:  Américo Nunes , com o Porsche Carrera 6, no Circuito Nacional.                    

     Grande Prémio do ACP, Novembro de 1972:  Europeu de GT e CNV : António Borges, com um 911 S, entre os grandes nomes dos GT's europeus, num fim de semana recheado com grandes corridas de nível internacional.

    6 Horas de Nova Lisboa,  Agosto de 1972: Além de serem excelentes pilotos de ralis,  Gérard Larrousse e Vic Elford constituíam uma das mais famosas equipas de endurance do início dos anos 70. Nesta prova angolana, a famosa dupla franco-britânica partilhou um dos dois Lola T-290 com que a Écurie Bonnier alinhou à partida.  Apesar da qualidade dos adversários, o vencedor destas seis horas foi o Chevron B-21 de Roger Heavens, cuja pilotagem foi partilhada com Carlos Santos, o campeão português em título.    (foto: arquivo RG)

     XI Circuito da Restinga

     VII Circuito de Novo Redondo, 1972: o Lola T-212 de António Peixinho,  vencedor da prova   (foto: revista Equipa)

      O BMW 2800 CS feito na Schnitzer e que tinha começado a sua carreira nacional em Angola, veio para Portugal onde inscrito pela Trevauto, passou a dominar as corridas de grupo 2. A prova de inauguração do autódromo do Estoril marcou o primeiro êxito deste conjunto na Metrópole. Esta imagem surge a pedido de vários entusiastas da marca da Baviera e tendo em atenção que enquanto esteve em Angola, este carro participou (e inclusive venceu) provas dos grupos 2, 3, 4 e 5.   (Motores 72)

        3 Horas de Lourenço Marques, Springbok Series, Novembro de 1972

 

1973_________________________________________________

  O mais internacional dos campeonatos foi também o último da sua era. Logo no começo do ano, o circuito de Moçâmedes marcou o início das hostilidades. Embora ainda não contasse para o CNV, falava-se insistentemente que em 1974 o campeonato seria disputado entre Portugal, Angola e, eventualmente, Espanha. Mas, estávamos ainda em 1973 e foi precisamente no país vizinho que a época começou, em Jarama, com os Troféus TVE e Vacaciones, e, só em Julho é que se estreia em Portugal, com o circuito de Vila Real, seguido de Vila do Conde e duas provas no Estoril. Pela primeira vez em 18 anos de história do CNV, os circuitos e as rampas separam-se em duas competições distintas, acabando também os campeonatos de Fórmula Ford e Vê. Vencendo três dos quatro circuitos nacionais, Carlos Gaspar e o Lola T-292 do Team BiP levaram o título para casa. Além disso, os carros com as cores do Banco Intercontinental Português ainda brilharam nos circuitos europeus do Mundial de Marcas e do Europeu de Sport 2 litros. Na Montanha, Francisco Fino venceu o título de Grupo 2, num campeonato em que a Rampa de Portalegre foi vencida pelo Datsun 240Z de Hélder Fortes, um piloto que disputava o Campeonato de Promoção.

 

   Moçamedes,  Angola, início de 1973: VII Circuito Automobilístico  "Festas do Mar"  uma forte participação da "metrópole", tanto na corrida como nos banhos...

    Benguela, 1973: o Lotus 62 (ex-Ernesto Neves), já com as cores do Team Mocar-Uniprédio. Perto do Lotus que iria pilotar dentro de instantes e vestido com um fato de competição branco vemos Waldemar Teixeira, tendo a seu lado (de boné preto) Renato Fraga. Encostada ao Ford GT 40 de Emílio Marta está a Betty,  mulher do piloto do Lotus. Mais ao fundo, o Lotus 23 (que foi propriedade e possivelmente ainda é) da família Marta e, por fim, o Porsche Carrera 6 (ex-Américo Nunes) pilotado em Angola por Herculano Areias.  Vendidos a pilotos locais,  após  a disputa do Circuito de Moçâmedes o Lotus 62 e o Porsche 906 continuaram a correr na antiga Província Ultramarina .  Para ver fotos do Lotus 62 em Moçâmedes ver o capítulo acima.   (foto colecção Helder de Sousa. Legenda HS/RG)

    Benguela, 1973:   Dentro do ambiente descontraído da foto anterior, Mabílio de Albuquerque sentado no seu Lotus T-212, pouco antes da partida. Este Lola, o Ford de Emílio Marta e o Lotus de Waldemar Teixeira partilharam a primeira fila da grelha de partida.   (foto: revista Equipa)

    Autódromo de Luanda, Angola, 1973: um dos Lotus Europa TC do Team ETA-Mocar numa atitude espectacular, na curva do "Pescoço de Cavalo". A Empresa de Tabacos de Angola escolheu o automobilismo para promover o lançamento dos cigarros LIS e para tal foi criado o referido Team ETA-Mocar que corria com os Lotus Dourados . Os pilotos da equipa eram o "Larama" (nº7), Helder de Sousa (nº8) e Fernando Soeiro "Truklas" (nº9). Os carros, preparados pela Garagem Palma, em Lisboa, foram utilizados no campeonato TCA (Turismo de Competição Angola), uma competição para carros de Grupo 1, 2 e 3, concebida à medida da realidade Angolana, sob proposta da Comissão de Pilotos de Competição de Angola (da qual Helder de Sousa, foi fundador e presidente).  Um dos carros que corria neste TCA era o De Tomaso Pantera de Tino Pereira, carro que viria a conhecer o seu momento de glória alguns anos mais tarde, já no CNV português. (foto colecção Helder de Sousa. Legenda HS/RG)

    1000 Km de SPA, 6 de Maio de 1973: uma das datas mais importantes do automobilismo português. O Lola T-292 Ford FVC de Carlos Santos e Santos Mendonça ficou em 6º da geral e venceu a classe "Sport 2 litros" na 5ª prova do Campeonato Mundial de Marcas, disputada no exigente circuito situado no local onde entre Dezembro de 1944 e Janeiro de 1945 se travou a Batalha das Ardenas. E com 12 carros à partida (entre os quais 8 Chevrons B-21 e 23) a classe onde corriam os carros da Écurie Bonnier/ Team BiP era das mais competitivas e difíceis de vencer da prova belga .  Na foto, vemos Carlos Santos a "trocar o volante" com Santos Mendonça  (foto: revista Motor, via Nuno Pereira)

     1000 km de Nurburgring, 1973: Carlos Gaspar ao volante do Lola T-292 FVC (#HU52) com o qual faria o melhor tempo entre os 2 litros, na sessão de treinos de 6ª feira. No sábado, Jorge Pinhol faria o 3º tempo com o mesmo carro. Aliás, segundo Jost (director desportivo da Bonnier) os carros nunca tinham estado tão bons como no circuito do Eiffel. Mas quando todos começavam a pensar num bom resultado para a corrida, o incidente judicial de que foi alvo Jorge Pinhol (denunciado por Fritzinger por alegadamente lhe dever o dinheiro do Capri 2600 RS que Pinhol destruíra no Estoril em 72) acabaria por levar à retirada do Team BiP da prova alemã. Pinhol só sairia em liberdade na segunda-feira, ou  seja, tarde demais para participar na corrida!    (foto: José Teixeira, Revista Motor, Col.RG)

       Rampa da Covilhã, 1973 triunfo fácil de Christian Melville, um piloto francês que fez uma boa parte da sua carreira em Portugal

   Charade, Junho de 1973: Carlos Santos ficou em 4º com o Lola T-292  (# HU47) Cosworth FVC - Mader, nos 300 km d'Auvergne, prova do Campeonato Europeu de Sport 2 Litros.  A corrida, ganha pelo Lola - Barclays de Guy Edwards, marcou a primeira participação do Team BiP numa prova do Campeonato Europeu de 2 Lts.

   Vila Real, Julho de 1973: outro triunfo do Team BiP, desta feita com Carlos Gaspar ao volante do Lola T-292, com motor Ford FVC preparado por Henry Mader. Uma lista de inscritos de alto nível, uma corrida empolgante e uma vitória tirada a ferros caracterizaram nesse ano a prova rainha do circuito transmontano.    (desenho de Ricardo Santos)

   Rampa de Portalegre, 1973: Manuel Marques e o penúltimo Lotus Elan do CNV. (o último terá sido o muito transformado Grupo 5 de Pedro Villar, em 1981) Os primeiros Lotus Elan que correram em Portugal surgiram em 1964, e na altura desta foto, já há muito tinha terminado a época de ouro destes carros no CNV. Este Lotus verde alface e branco era uma versão de estrada adaptada à competição, e já não era competitivo face aos seus rivais de 1973.   (foto: Ricardo Grilo)

    Rampa de Portalegre, 1973:  esta rampa foi palco de um acontecimento singular na história do CNV, pois Hélder Fortes, um piloto iniciado que disputava o campeonato de Promoção com um Datsun 240Z, foi o vencedor absoluto desta prova alentejana que contava para o novo Campeonato de Montanha.  (foto: Ricardo Grilo)

     2 Horas de Luanda, Julho de 1973: Nicha Cabral no Lola T-292 da Autodel, autor de um brilhante começo de prova e vitima de uma rápida desistência, numa corrida encurtada que seria vencida por Roger Heavens.

    500 Km de Benguela, Agosto de 1973:  Após a desistência das 2 Horas de Luanda, António Peixinho e Nicha Cabral levaram o Lola T-292 ao triunfo nos 500 Km de Benguela, última prova da série internacional de Angola. ( 3 Horas de Luanda, 6 Horas de Nova Lisboa e 500 Km de Benguela) O carro era patrocinado pelos supermercados Pão de Açucar e a prova organizada pelo clube Tuku Tuku (que ainda existe).  O destino deste Lola é para nós uma incógnita. Se a história do acidente de viação parece não passar do domínio da lenda,  José Mota Freitas avançou-nos duas hipóteses que deixamos aqui a referência: a primeira é que o carro foi "requisitado" pelo MPLA que tratou de o ir buscar à garagem do Mabílio de Albuquerque (e daí poderá ter nascido a história do carro circular por Luanda). A outra refere que Santos Peras conseguiu guardar o Lola e outras preciosidades contemporâneas e, anos mais tarde, o carro terá sido vendido na Bélgica. Alguém nos pode esclarecer sobre o verdadeiro destino deste protótipo?  (foto: livro "Mário de Araujo Cabral" ed.Talento, 2001

     Porsche Aurora 2000 "Spyder" de Robert Giannone, numa rampa do CNV de 1973.  Este carro com base num Porsche 906 foi profundamente modificado pela Garagem Aurora e, apesar de alguns problemas iniciais de "mise au point", por altura desta foto já era um carro razoavelmente competitivo no panorama nacional, mesmo em confronto com protótipos modernos como os Lola T-292 e GRD S-73.  Para saber mais sobre este protótipo português clique na história dos Porsche Aurora  (foto: o Volante, col. Rui Queirós)

     Rampa da Penha, 1973:  Um dos vários Alpine A110 que participaram em provas de velocidade e montanha no inicio dos anos 70 foi este 1600S de Mário Costa aqui fotografado na Rampa da Penha. Apesar do seu aspecto agressivo, o seu desempenho não foi brilhante: foi 9º da Geral, mas ficou atrás de um dos Datsun 1200 GX de Grupo 1...  (foto: revista Motor, colecção José Mota Freitas, texto JMF)

     Rampa da Penha, 1973: Porsche 911 S do Miguel Correia, que se classificou em 6º da Geral, e 1º dos grupos 3 e 4. O carro tinha 2492 cc e cerca de 250 cavalos. O preparador era Luis Dias. Na época de 1976 este carro apareceu com um "look" Carrera RS e uma bonita pintura dourada (ver foto abaixo, em 1976)  (foto: revista Motor, colecção José Mota Freitas, texto JMF)

  GP do ACP, Estoril 1973:  uma animada fase da corrida do campeonato Europeu de GT que se disputou naquela pista, em Julho desse ano. Na  frente da corrida vemos os Porsche Carrera RSR da equipa Kremer, pilotados respectivamente por Klemens Schikentanz e Paul Keller. Logo atrás segue o Porsche Carrera RSR inscrito pelo Porsche Club Romand, preparado por Buchet e conduzido por Claude Haldi, 3º classificado nas duas mangas de 40 voltas. As mangas foram vencidas respectivamente por cada um dos pilotos da equipa dos irmãos Kremer, tendo o somatório dos tempos atribuído o triunfo ao Porsche branco e laranja.  (foto: revista Motor, colecção J.M.Freitas)

    GP ACP,  Estoril, Julho de 1973: A luta para o 4º lugar ( e melhor português na prova de "sport") entre o Lola T292 (# HU 52) do Carlos Gaspar e o GRD S73 (#072) do Ernesto Neves. Este último iria levar a melhor entre os pilotos portugueses, naquela que curiosamente seria a sua última prova ao volante desse carro. Por essa altura, Nené anunciava o seu abandono das competições e em Agosto, o GRD já participaria em Vila do Conde com Carlos Santos aos comandos. Quanto ao outro carro da foto, Gaspar utilizou nesta prova o T-292 chassis HU-52, com o motor FVC 1980 que esteve montado no carro de Carlos Santos, acidentado em Vila Real na semana anterior.     (Foto e texto: J.M.Freitas)
 

      Vila do Conde, Agosto de 1973: Carlos Gaspar com o Lola T-292 (motor Ford FVC-B de 2 litros/ 258 cv, preparado por Henri Mader)  no caminho para o triunfo da corrida dos Grupos 3, 4 e 5, numa prova em que Robert Giannone surpreenderia pela performance do seu Porsche Aurora "Spyder"  (foto: Volante, Col. Família Pinto da Fonseca)

      Circuito do Novo Redondo, Setembro de 1973:  Triunfo de António Peixinho no Lola T292

        400 km de Barcelona, Setembro de 1973

                                

                                 Circuito Carlsberg   Estoril 1973

     Foto sem data que nos mostra o carregamento do que parece ser um Chevron B-23, num Boeing 747 da TAP. A companhia aérea nacional recebeu dois destes aviões em 1972 e outros dois em 1974. A foto será muito possivelmente de 1973 ou 1974 e o Chevron estaria muito provavelmente em trânsito para a "Temporada Angolana", onde se disputavam inúmeras provas abertas a protótipos, durante o Inverno Europeu.   (Foto: Atlantis, colecção www.tristar500.net)

 

1974___________________________________________________

 A crise do petróleo consequente da Guerra do Yom Kippur, e a revolução de Abril paralisaram totalmente a velocidade nacional, não se disputando nenhum campeonato em Portugal Continental em 1974. No entanto, em Angola, o campeonato desenrolou-se com a normalidade possível num ambiente de grande tensão e violência que antecedeu a guerra civil Angolana e o consequente êxodo. Apenas no final do ano, em pleno PREC, seria disputada uma única jornada no Autódromo do Estoril que mais do que encerrar um capítulo, marcava de facto a génese de uma nova era.

      Temporada Angolana, 1974: o álbum e os comentários de Helder de Sousa.  Na foto vemos o conhecido piloto e jornalista ao volante do March 74S Cosworth, nos 500 Km de Benguela.  Apesar de em 1974 não ter havido campeonato nacional de velocidade em Portugal Continental, em Angola as corridas de automóveis continuaram a realizar-se no conturbado período do pós 25 de Abril.    (foto: colecção Helder de Sousa, cortesia de Carlos Diniz)

       Estoril, Outubro de 1974, 1º GP do Estoril: Após meses sem competições, o autódromo reabriu as portas para receber o que terá sido a única prova de velocidade disputada em Portugal Continental no ano de 1974. O programa, com grande adesão por parte do público, incluía uma corrida de promoção/iniciados, Troféu Datsun, Grupo 1(Turismo de Série)  vencida pelo Opel Commodore GS/E de Clemente Ribeiro da Silva e, por fim, Grupo 2 (Turismo Especial). Esta última prova teve como vencedor o Ford Escort de Jorge Ribeiro de Sousa que a exemplo do que sucedia no ano anterior, impôs os 250 cv do carro britânico à concorrência. Em 2º ficou o Datsun 120 de Pedro Cortez, seguido do Alfa Romeo 1750/2000 GTV de Xavier Moreira e do Opel Manta 1900 Irmscher de George Villar.    (foto: revista ACP, colecção Manuel Taboada)

       Estoril, Outubro de 1974, 1º GP do Estoril: tanto quanto julgamos saber, o Porsche 911 (com preparação Carrera RS) de Miguel Correia terá sido admitido a participar neste 1º Grande Prémio do Estoril, na prova de Turismo Especial.

  Nota: Esta prova do Estoril, disputada depois da revolução de Abril, deveria estar catalogada no capítulo seguinte Renascimento, pois já fazia parte de uma realidade totalmente distinta da época anterior. No entanto, na organização desta página, optámos por considerar o ano de 1974 como parte do período anterior, até porque as corridas em Angola, então ainda parte integrante do território português, continuaram a disputar-se com a normalidade possível e só em 1975 é que conheceriam o virar de página que em Portugal Continental já sucedera no final de 1973.   (foto: revista ACP, colecção Manuel Taboada)

     6 Horas de Kyalami, Novembro de 1974: com a distância reduzida das habituais 9 horas para "apenas" 6 , a prova sul-africana do Mundial de Marcas continuava no entanto a atrair as atenções de inúmeras equipas oficiais e privadas. Na imagem, feita durante os treinos, vê-se o De Tomaso Pantera GTS de José Rebocho e Celestino Pereira (junto à box mais animada do circuito!), juntamente com o Chevron Hart B-26 de Ian Grab e John Hine, o Lola T-292/4 inscrito pela Ray's Racing e pilotado por John Abrams e Richard Scott, um dos Porsche 911 Carrera RSR da GELO Racing Team e o único Ford Capri RS inscrito, o carro oficial de Jochen Mass e Toine Hezemans que viria a concluir a corrida em primeiro dos Turismos e em 5º lugar da geral. Mais atrás, encoberto, adivinha-se também a forma de um dos BMW 3.0 CSi oficiais. (O vencedor foi o Matra de MS-670B de Larrousse e Pescarolo). Quanto a Rebocho e Pereira, o enorme esforço (e risco) de rodarem por estrada desde Angola (praticamente em guerra civil) até ao circuito de Kyalami não foi compensado, pois infelizmente não conseguiram qualificar-se para a corrida.    (foto: colecção José Rebocho)

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        Vila Real 1967 - 1973:  a galeria dos vencedores

       A história do Team BiP

       Os GRD em Portugal 

       March 74 S #11   um histórico português

       Algumas linhas sobre Mané Nogueira Pinto

       Algumas linhas sobre Américo Nunes

       Um Porsche 907 em Portugal

        Os Porsche Aurora

       Entrevista a Eduardo Santos da Garagem Aurora

     Pilotos portugueses nos "Sport 2 Litros"

                                   

                               VILA REAL: a Curva da Salsicharia

 

                               Xanato

 

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    1975-1981:  Renascimento

    1975-1981:  Rebirth

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   1982-1985:  Ocaso

   1982-1985:  Decline

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